"Minha última profissão será me dedicar aos vinhos" - Acaviano Marcus Vale - People / O Povo

"Minha última profissão será me dedicar aos vinhos"


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 (RAFAEL CAVALCANTE)

MARCUS VALE

por Elisa Parente

 

A lista de profissões é extensa: empresário, engenheiro de sistemas, proprietário de uma franquia, professor, sommelier e connoisseur de vinhos. Quem conhece Marcus Vale, 57, percebe em seu discurso que a felicidade está em fazer o que se gosta. Durante o início da carreira foi funcionário do Detran. Aos 23 anos, entrou para o Banco do Nordeste, onde fez carreira passando por diversos cargos, entre eles o de chefia. Aluno do curso de Engenharia, foi aconselhado pelo irmão a investir na Informática, que à época se anunciava como a carreira do momento. Migrou então para o curso de Processamento de Dados, ramo no qual trabalhou por 30 anos.


Paralelo à vida profissional, Marcus foi desenvolvendo cada vez mais seu interesse pelos vinhos. Fez cursos, assinou revistas e aumentou o espaço na estante para as publicações sobre o assunto. A agradável conversa que tivemos na adega do restaurante Medit, no Shopping Buganvília, foi regada a muito conhecimento. Marcus esbanja sabedoria sobre o assunto e quando lança um olhar para o futuro a certeza é uma só: “Tenho certeza que minha última profissão será me dedicar inteiramente ao vinho”.


1. CARREIRA

Durante o tempo em que permaneceu como funcionário do Banco do Nordeste, Marcus dividia suas obrigações dando aulas de informática, coordenando o curso de Sistemas de Informação da Faculdade Christus, implantando a faculdade da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL). “Foi lá que fui mordido pelo mosquito do comércio”, diz. Como o filho trabalhava com lentes de contato, o empresário resolveu investir na parceria e, em setembro de 2008, abriram em sociedade uma franquia das Óticas Boris. “Hoje são quatro lojas em Fortaleza e uma em Sobral”, orgulha-se. Pai de Marcus Jr., 31, e Tales, 15, e Taís, 14, de seu segundo casamento com a médica Thermutis Vale, Marcus é só sorrisos quando o assunto é a família.


2. INVESTIMENTO

A paixão pelo vinho veio surgindo aos poucos. “Eu tinha uma casa em Guaramiranga e gostava de tomar um vinho aproveitando o clima”. Mas com as obrigações profissionais e o crescimento dos filhos, a casa foi perdendo a preferência. “Os meninos viraram adolescentes e não queriam mais ir para lá. Se não estávamos usando, para quê mantê-la? Só para dizer que tinha uma casa na serra?” Foi quando decidiu vender o imóvel e investir em algo que de fato pudesse usufruir: viajar para conhecer vinícolas pelo mundo. Na lista, figuram viagens à Itália, Espanha, Portugal, Chile, Argentina, Estados Unidos e, claro, França. “Costumo dizer que só se aprende a cultura do vinho lendo, bebendo e viajando”, filosofa. O próximo destino é a cidade de Bordeaux, no sul da França. “Meu objetivo é conhecer”.


3. CONHECIMENTO

Marcus se considera uma pessoa prática e pragmática. Se pode fazer algo para mudar o que não lhe agrada, busca a opção mais adequada e vai fundo. Em 2004, participou do primeiro curso de sommelier, promovido pela Miolo, rótulo de vinhos brasileiros. “Este foi o primeiro curso profissional que fiz. Passei a comprar revistas, ler livros sobre o assunto”. Em 2007, participou de um curso promovido pela Associação Cearense dos Amantes do Vinho (Acav), grupo ao qual se uniu mais tarde. “Este foi o curso que realmente alavancou meu interesse. Mesmo sendo um hobby, passei a dar consultorias e me uni a um grupo que se interessava pelo tema. É uma espécie de confraria”, resume.


4. CONSCIENTIZAÇÃO

O sommelier diz que o principal interesse na profissão é promover o vinho e tornar os consumidores e vendedores mais conscientes. Ele destaca a disparidade do valor do vinho comprado no Brasil e daquele adquirido fora do país e alerta para que o consumidor saiba pagar o preço certo da bebida. E quais são as principais gafes de quem vende/consome a bebida? “Você chegar a um restaurante especializado em frutos do mar e não encontrar na carta de vinhos as opções em branco ou rosé”. E ressalta que o trabalho do sommelier deveria ser dentro do restaurante, orientando a maneira apropriada de servir o vinho.


5. DICAS

Para quem está iniciando na degustação da bebida, Marcus sugere começar pelos títulos chilenos e argentinos. “Agora estou partindo para os italianos, mas tem que ter a fase da Austrália e da África do Sul também”. A adega que mantém em casa acomoda 70 rótulos e Marcus faz questão de ressaltar que suas aquisições acontecem principalmente durante as viagens. Ele ressalta que a diferença de valores é tão absurda que o mesmo vinho pode ser adquirido no exterior por US$ 100 e vendido no Brasil por R$ 700. “Em muitos países o vinho é considerado alimento. No Brasil, ele é bebida alcoólica”. Entre os preferidos, figuram na lista os chilenos Dom Melchor, Lota e Almaviva. Dentre os brasileiros, Marcus destaca os espumantes, que segundo o sommelier, ocupam a quinta posição no ranking mundial. Atualmente sua atuação na Acav (www.acavnet.com.br) é fundamental: é ele quem responde emails enviados à entidade tirando dúvidas sobre vinhos.

Elisa Parente
elisa@opovo.com.br
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