Barolos se beneficiaram de boas safras - Por Jorge Lucki

Barolos se beneficiaram de boas safras

Por Jorge Lucki | De São Paulo

A inusitada sequência de boas safras com que mamãe natureza contemplou barolos e barbarescos a partir da segunda metade da década de 1990 leva a crer que é um prêmio aos esforços empreendidos por produtores da região. Ainda que alguns tenham avançado o sinal, propondo vinhos "moderninhos" - traindo de certa forma as tradições vinícolas locais -, houve de fato um movimento renovador no bom sentido.

Não se pode afirmar que todas as safras de barolo e barbaresco foram igualmente boas nesses últimos 15 anos, até porque a uva nebbiolo tem um ciclo vegetativo longo, que a faz amadurecer tardiamente e com isso estar sujeita a chuvas esporádicas e instabilidades do clima. Mas, de 1996 a 2010, guardadas as características de cada uma, pode-se considerar que apenas 2002 e 2003 ficaram abaixo das expectativas. Dessas duas, a primeira foi bastante prejudicada pelas chuvas que se iniciaram na primeira semana de setembro e assim permaneceram até a colheita, acarretando vinhos diluídos. Os produtores, em boa parte, desclassificaram seus "crus" e os utilizaram na composição do vinho base.

Apesar de ter efeitos menos desastrosos, o excessivo calor que marcou o verão de 2003, castigando não só o Piemonte, mas toda a Europa, fez com que barolos e barbarescos desse ano deixassem a desejar. Acidez baixa, taninos verdes e pouca estrutura são o padrão da safra 2003.

Temperaturas elevadas, contudo, sem chegar nos níveis e na constância de 2003, foram a tônica de 1997 e 2000, ensejando vinhos com fruta mais madura e média acidez, ainda que com corpo adequado. Bem dentro do estilo que os americanos apreciam, elas funcionaram como porta de entrada para consumidores ávidos por conhecer um (bom) barolo e que não tinham paciência para esperar o tempo exercer seu papel. Esse atributo, aliás, foi o que seduziu os críticos da "WineSpectator", que atribuiu nota máxima à safra 2000 no Piemonte, inflacionando os preços. Ocorre o oposto com os 1996, uma grande safra que apenas agora começa a ficar pronta para consumo. É um pouco cedo para afirmar, porém, que 2006 leva o mesmo jeito. São, principalmente os barolos, vinhos clássicos, com boa acidez e taninos maduros, ainda arredios. 2005 e 2007, por sua vez, são elegantes e podem ser consumidos antes.

Os melhores tintos da região são, sem dúvida, os das safras 1999, 2004 e 2001 - esta em particular. Expressam tudo de bom que barolos e barbarescos têm para oferecer.

Colaboração do Enófilo Dionísio

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