O CICLO DA VIDEIRA

 

A cultura da vinha requer cuidados constantes. No alto verão, faz-se a colheita quando as uvas estiverem bem maduras. No outono, procede-se a poda. No inverno, a videira repousa e adormece para despertar na primavera, na qual ocorre a floração e a arrebentação dos frutos.

 

 

 

VARIEDADE DE UVAS

 

Uvas Comuns - Vinho de Mesa

Uvas comuns são americanas ou seus híbridos, reprodutores diretos. Mundialmente não são apreciadas para vinho. Na Argentina, por exemplo, é proibido seu cultivo já que as parreiras são sujeitas ao ataque da Filoxera ( plantadas pé-franco). No Brasil sua produção permitida produz o vinho comum para ser comercializado em garrafão ou virar suco de uva.

 

 

Principais uvas comuns :

Isabel, Concord, Seibel, Herbemont, Seyve Willard.

 

 

 

Uvas Viníferas Especiais

Normalmante não resultam em vinhos varietais e sua produção caiu muito nos últimos anos. Introduzidas no Brasil no século XX pelos imigrantes italianos, elas foram difundidas entre os próprios agricultores e suas cooperativas.

 

 

Principais viníferas especiais :

Barbera: produz vinhos italianos leves com aroma frutado. Foi base dos vinhos tintos finos brasileiros.

Colombard: produz vinho branco jovem (França, Califórnia e Austrália).

Trebbiano: uva branca muito cultivada pela sua resistência e sua produtividade. Resulta em um vinho agradável de aroma frutado, algo herbáceo.

Nebbiolo: produz vinhos tintos encorpados sendo usada principalmente no Barolo Italiano. Muito tânica, precisa de tempo.
Sangiovese: produz vinhos tintos sendo principalmente usado no Chianti.

Viognier: faz o Condrieu, vinho branco seco encorpado e de excelente qualidade. Cultivada no Vale do Ródano.

Muller-Thurgau: é usada em vinhos brancos alemães considerados de baixa a média qualidade.

Moscatel: abrange vários tipos de uva branca (moscato/malvasia) relacionadas entre si, com aroma almiscarado próprio, doce, sabor de uva. É cultivado em toda Europa Meridional.

 

 

 

Uvas Viníferas Nobres

São as chamadas “vitis viníferas” e que estão no mais alto patamar de qualidade.

 

 
Tintas
:

Cabernet Sauvignon: este é o tipo de uva preta mais conhecido no mundo, originária da região de Médoc em Bordeaux, na França. Possuem taninos fortes que ajudam a envelhecer. Seus vinhos são de coloração intensa e aromas que com o tempo desenvolvem  complexidade,  pimentão verde e cassis. Quando envelhecidos em carvalho podem surgir aromas defumados, chocolate e tabaco.

Cabernet Franc: foi o primeiro varietal conhecido pelo consumidor (assim com Reisling) no Brasil.  Nos dias de hoje, é pouco valorizada e utilizada principalmente nos “cortes”. Produz em condições especiais um vinho refinado, relativamente ligeiro, mas elegante. Os aromas principais desta cepa são as frutas vermelhas com uma leve presença de vegetais e os taninos são menos concentrados.

Merlot: esta variedade tinta é mais cultivada em Bordeaux, onde é geralmente misturada com o Cabernet Sauvignon (o chamado corte bordalês). A Merlot completa muito bem a Cabernet Sauvignon por ser menos tânica e ácida, trazendo assim suavidade para vinhos que puros seriam muito rascantes. Na América do Sul, esta uva tem dado grandes resultados. Esta variedade é a base do maravilhoso vinho Chateau-Pétrus do Pomerol, na França, um dos mais valorizados vinhos tintos do mundo e em Portugal, o excelente Má Partilha.

Frutas vermelhas e negras são os aromas facilmente identificados nesta uva. Os taninos são doces e suaves.

 Gamay: a região de Borgonha é responsável por mais da metade de todo vinho novo para ser bebido poucas semanas após a colheita. A maioria é tinto, simples e frutado. Tem um aroma leve porém distinto de pêra, banana (resultado dos métodos de produção) e de framboesa. Um Beaujolais mais sofisticado (cru) pode até ser envelhecido.

Grenache: O sul da França, a Austrália, a Califórnia e a Espanha possuem as principais regiões vinculas desta uva negra que faz um delicioso vinho frutado de alto teor alcoólico e com aroma de pimenta do reino. Como elas têm pouco tanino são misturadas com a Cabernet Sauvignon ou a Syrah.

Pinot Noir: Uva extremamente sensível à condições climáticas, tornando portanto a produção difícil e cara. Sendo raramente misturada a outro vinho, as Pinot Noir fazem um vinho tinto de cor claro e de corpo leve a médio, com um aroma de morango ou framboesa. O envelhecimento pode lhe conferir trufas e cogumelos. Os melhores Pinot Noir são os da Borgonha; são conhecidos como os vinhos mais suntuosos do mundo, mas as regiões da Nova Zelândia e do Oregon nos EUA estão tendo sucesso com suas produções.

Syrah: conhecido como Shiraz na Austrália e na África do Sul, a uva Syrah faz um vinho tinto escuro, encorpado, forte e de longa vida, principalmente se for envelhecido no carvalho. São repletos de tanino quando jovens, estes vinhos podem ficar guardados por muitos anos. Os pricipais aromas encontrados na Syrah são as frutas vermelhas e especiarias, principalmente o   cravo e a canela, sendo que o envelhecimento em carvalho os acentua.

Malbec:: produz vinho escuro, denso e tânico, capaz de atingir qualidade excepcional, principalmente na Argentina. Na França também é chamada de “Cot”, mas se tornou secundária em Bordeaux. Ameixas e cassis são aromas facilmente encontrados e quando passa por madeira a complexidade aumenta, defumado, chocolate e couro.

Carmenére: Chegou ao Chile junto com a Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Diziam que era muito suave para ser Cabernet Sauvignon, então acabou sendo confundida como Merlot. Em _1994_ o ampelógrafo francês Claude Valat assegurou que se tratava da cepa Carmenére durante o VI Congresso Latino-Americano de Viticultura e Enologia realizado no Chile. Um ano mais tarde a visita do ampelógrafo francês Jean Michel Boursiquot de Montpelier, consolidou a descoberta.

Trata-se de uma cepa de difícil cultivo devido a problemas como excesso de folhagem, alta sensibilidade a doenças, maturação tardia e baixa produção.

As principais características são a coloração profunda, retinta, na boca seus taninos são suaves, baixa acidez lembrando aromas de frutos maduros muitas vezes achocolatados. Mas, se não for colhida em seu tempo correto, poderá transformar-se em um vinho herbáceo e duro. É a cepa da paciência.

Até o momento o Chile é o único país a produzir vinhos à partir da cepa Carmenére, o que está se transformando em uma espécie de bandeira vínica, assim como o Malbec está para a Argentina e o Tannat para o Uruguai.

Pinotage : Uva singular sul-africana (cruzamento das cepas Pinot Noir e Cinsault). Norlmalmente resulta em vinhos frutados e pode envelhecer.

Tannat : Oriunda do Madiran, é altamente tânica gerando vinhos firmes e bem estruturados, com aromas de amoras e groselha. Devido a concentração de taninos, envelhece muito bem.

Touriga Nacional : uva de superior qualidade cultivada de norte a sul em Portugal. Qualidade superior no Douro, revelando tintos encorpados.

Tempranillo : Uva de maturação precoce (temprano) e aromática. Produz vinhos com baixa acidez e muito elegantes, principalmente quando envelhecida em tonéis de carvalho. Os aromas são de frutas vermelhas e frutas secas. A rainha de Rioja.

Zinfandel: Variedade de uva da Califórnia confundida com a italiana Primitivo, essa uva faz vinhos e leves e elegantes (brancos e rosados a tintos fortes com taninos), mas o sabor característico de fretinais sempre se revela. Os melhores são ricos em sabor, cor e preferivelmente envelhecidos em carvalho por um curto período. Estes estarão no ponto depois de cinco anos.


 

Brancas :

Chardonnay: Uva branca base dos famosos vinhos da região de Chablis, na Borgonha, e dos vinhos-base da região de Champagne, na França. Sua nova geração é responsável pelo melhor vinho branco produzido no Brasil. Os vinhos feitos à partir desta uva são secos, frutados, os armoas lembram maça verde, pêra, frutas tropicais, de corpo médio, ou mesmo encorpados (amanteigados) quando fermentados em barrica.

Sauvignon Blanc: variedades de uva branca de origem francesa, são em sua maior parte, vinhos brancos de uvas novas extremamente seco, aroma sugerindo grama e groselha, com fundo algo amargo, para serem bebidos logo. O Sancerre e o Povilly Fume, originados do Loire, são os Sauvignon Blanc mais conhecidos. No entanto, a Nova Zelândia também produz excelentes vinhos desse tipo.

Semillion: esta uva bem versátil, originária da região de Bordeaux, na França, é utilizada na produção de uma série de vinhos brancos, de secos a bem doces, particularmente notáveis na Austrália e em Bordéus. Nervoso pela sua acentuada acidez, aroma intenso floral, mineral, secos e mistos são melhores quando jovens. O melhor dos vinhos Semillon é provavelmente aquele exposto à podridão nobre, que produz famosos vinhos de sobremesa como o Sauternes e o Barsac.

Riesling: tradicional variedade alemã faz excelentes vinhos brancos no mundo inteiro, de bem secos a bem doces. Seus vinhos são frescos jovens e de baixo teor alcoólico. Sabor pronunciado de longa duração e intenso aroma floral, pêssegos e cítricos. Extraordinários vinhos doces são feitos da uva Riesling exposta à podridão nobre. De uma variedade branca, originária do Norte da Itália, Reisling Itálico, foi elaborado o primeiro vinho varietal no Brasil.

Gewürztraminer: os vinhos feitos deste tipo de uva picante são bem encorpados e podem ser secos e doces. São de baixa acidez e de alto teor alcoólico; a maior parte acima de 13%. Tem como origem à região da Alsácia, no Norte da França, onde se produzem os melhores vinhos. Com seu bouquet perfumado e exótico, floral, especiarias e o seu sabor de lechia, o Gewürztraminer é um dos poucos vinhos que combina com pratos condimentados.
O prefixo Gewürz significa especiaria e é atribuído ao Meio Evo, porque o aroma deste vinho lembrava algumas bebidas feitas com drogas aromáticas. Este vinho tem tido êxito comercial no Brasil pelo seu “Apelo Germânico”.

Chenin Blanc: Principais regiões são o vale do Loire, a Nova Zelândia e a África do Sul. Esta uva precisa de muito sol para amadurecer completamente; do contrário os vinhos saem ácidos demais. São produzidos vinhos brancos, de secos a doces, assim como os espumantes. Os melhores secos trazem aromas de pêssego, damasco e maçã verde.

Alvarinho : difundida principalmente na fronteira norte de   Portugal com a Espanha. Diferente das demais uvas para vinho verde, pode chegar aos 13 graus enquanto que as demais ficam entre 8 e 11,5 graus. Muitos dizem até que não se trata propriamente de um verde, e que na verdade está a meio caminho do maduro.

Furmint : marca registrada da Hungria, por ser a principal uva do Tokay.